
''Ahhhhh! Paris!
Ouvi falar dessa cidade pela primeira vez quando, ainda pequerrucho, ouvia minha avó
tocar ao piano e cantar com sua voz doce, a valsa " Sobre as Pontes de Paris". O
encanto da melodia singela, que nunca mais esqueci, foi a primeira janela aberta do meu
arrabalde para o mundo. E ali, Paris já estava presente.
Paris continuou a povoar meus sonhos de menino e de adolescente. Com os Três Mosqueteiros
conheci-lhe a Corte e com Quasímodo escalei as torres de Notre Dame.
Os livros me contaram de seus personagens, de suas vidas, das
conquistas e dos movimentos libertários que despertaram o mundo da noite da opressão e
do obscurantismo.
Paris, sempre à frente dos acontecimentos, como um referencial de
cultura a irradiar civilização...
Paris da arte, da arquitetura, da moda, da culinária e dos perfumes...
Fascinava-me a palavra "coquette", imaginando belas mulheres dirigindo olhares
maliciosos para os jovens de cartola sentados nos cafés ao ar livre, nos boulevards.
Ah, o que se comentava das parisienses!
Seria verdade?
Um dia conheci Paris! Ela mesma! Em carne e osso, asfalto, palácios, jardins, Arco do
Triunfo, Torre Eifel, Notre Dame, Louvre, Versailles...as pontes do Sena...enfim conheci
as pontes. As Pontes de Paris da minha infância mostraram-se mais lindas do que jamais
poderia ter imaginado!
Cada recanto falava de história, não só de uma cidade, mas de toda civilização. Ao
mesmo tempo, parecia que ali haviam germinado e crescido toda a beleza e o bom gosto do
mundo.
Et les folles nuits du Moulin Rouge, avec ses frous-frous, ses jupons vaporeux, ses grands
écarts et ses belles vedettes...
Era verdade!
Paris, coquette, quer ser sentida, apalpada, cheirada, ouvida e degustada para ser
percebida em sua exuberância, e Nádia está nos trazendo uma bela síntese - se é que
é possível sintetizar Paris - de tudo isso.
Suas lentes, que escondem uma apaixonada na competência da profissional, conseguem
capturar formas, ângulos, luzes e sombras que, muitas vezes fogem do olhar perdido do
visitante, e mostram, não somente os contornos, mas um pouco da alma de Paris.''
ROBERTO FONSECA
Escritor e artista plástico
Brasília - DF - Brasil
14 de junho de 1999
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| MOULIN ROUGE | SAINT MICHEL |
VITÓRIO GHENO
Artista Plástico e Ilustrador
Porto Alegre - RS