O DISCURSO DE ALCINDO GUANABARA

Exposição de São Luiz Sessão Solene para entrega das medalhas e diplomas Conferidos aos Expositores Brasileiros

Discurso Oficial proferido pelo Senhor Alcindo Guanabara

Sr. Presidente
Sem. Cardeal Arcebispo
Sr. Ministro
Minhas Senhores e Meus Senhores.

Esta festa é ainda a solenização de um princípio político vitorioso. A República havia, é certo, triunfado das agitações e das lutas intestinais; havia, com muito maior facilidade do que a Regência, dominado a desordem nos espíritos, tantas vezes traduzida em movimentos armados; havia saído vitoriosa da prova dificílima da reorganização financeira, graças a dedicação sobre sua capacidade para gerir os destinos desta grande nação e encaminhar o seu povo para a prosperidade, para a grandeza, para o regresso que a parte do globo que ele habita lhe impõe, essa, a República só a deu na Exposição de São Luiz. Foi um prodígio e uma maravilha para o Brasil essa exposição. Havia então, felizmente, gerindo o Departamento de Indústria uma vontade forte, uma energia contínua, uma tenacidade fria, um querer que não se acaba - eu que tenho pintado a individualidade do Sr. Lauro Muller, naquilo em que ela mais fere a imaginativa popular. Não houve desgosto que o vencesse, embaraço que o entibiasse, tropeço que o fizesse hesitar. No seu espírito tão lúcido, de homem de Estado, estava bem arraigada a convicção de que o êxito do Brasil nesta feira mundial era uma consagração de que a República precisava, a que tinha direito e que valeria pela abertura de novos caminhos ao nosso progresso social e prático. Ela, de fato, nos revelou ao mundo sob um aspecto de que o mundo não cogitava. Afirmamos o nosso valor como povo livre, afirmamos a força e a capacidade de novo regime político: ainda não tivemos triunfo que mais nos desvaneça. O que mais encarece esse triunfo é que, antes da atividade industrial, ele o foi daquilo que constitui o paradigma das civilizações: ele o foi da arte. Este pavilhão, em que, para maior encanto desta festa, nos reunimos agora, cobriu logo de glória não só o Brasil, senão toda a parte do continente a que pertencemos: foi a imprensa norte-americana que proclamou em face dele, a existência de um gênio sul americano. O mundo inteiro rendeu-lhe a homenagem da sua admiração. Nenhum edifício na exposição, nem mesmo o Palácio das Festas, que era peça de arquitetura com que os Estados Unidos concorriam a ela, puderam sequer lhes ser comparados. Ainda reboam nestas salas os ecos das homenagens do mundo ao valor do Brasil. De golpe, ganhamos no conceito das nações, plano de destaque. Pela primeira vez, o mundo teve a sensação exata do que valia esta grande República - até então submergida na sombra, diminuída, envolta na fama de república sul americana, isto é de país mal formado, andando ao sabor dos pronunciamentos, sem justiça e sem governo estável. O Presidente Roosevelt atestou, desta mesma sala, a todo o mundo a injustiça e a falsidade deste juízo, reconhecendo o Brasil com a primeira nação do continente sul e seu leader natural.

TIPOGRAFIA BESNARD FRÈRE - 137 Rua do Hofício Rio de Janeiro - 1907.

Este Discurso foi transcrito na íntegra do livro de SOUZA AGUIAR, Louis de . PALÁCIO MONROE: da glória ao opróbio. Rio de Janeiro, 1976. p.28-9

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